domingo, 7 de setembro de 2014

A Sociedade e Cutura Fascista

Embora o Estado fascista seja o centro do universo, o objetivo principal do fascismo é a recuperação social, ou o aprimoramento de um grupo específico de pessoas. A recuperação é alcançada por meio da união nacional e da rejeição do individualismo. Esse tipo de sociedade exige o apoio inicial das pessoas. Um regime fascista geralmente conquista esse apoio promovendo uma série de idéias através da mídia, de comícios e de outras formas de propaganda.
  • Uma nação em crise - o Estado está em decadência e isso piora cada vez mais. Existem duas causas principais para esse declínio: a variedade de grupos raciais ou étnicos no Estado, que deixa o Estado "impuro" e o enfraquece; e uma conspiração de determinados grupos raciais, étnicos ou nacionais para reprimir o Estado.
  • Um passado idealizado - o Estado está arruinado atualmente, mas já foi supremo. O fascismo ambiciona a renovação do Estado e do principal grupo étnico de uma era lendária de glória no passado.
  • A necessidade de uma mudança social - as pessoas precisam se submeter a grandes mudanças, a uma nova estrutura social e a um novo modo de vida para alcançar esse renascimento.

O fascismo surge de condições socio-econômicas ruins, como as das pós-Primeira Guerra Mundial na Europa e pós-Segunda Guerra Mundial no Japão. Os países derrotados na Primeira Guerra Mundial (em inglês) sofreram muito com as restrições impostas a eles depois da guerra. Na Alemanha (em inglês), a população geral (a classe trabalhadora) sofreu. Uma forma fascista de governo prometeu que as pessoas voltariam a ter uma vida melhor e uma posição mais vantajosa no mundo. A raça germânica simplesmente precisava retomar o seu lugar legítimo de superioridade.



               
Os regimes fascistas precisam cultivar a juventude do Estado e impressionar as pessoas com comícios e demonstrações de poder.

Mas aqui está a contradição: embora a raça seja superior, os membros dessa raça não significam nada. No fascismo, os indivíduos existem apenas em relação ao Estado. Os princípios da democracia e do capitalismo, que surgiram do iluminismo (em inglês) europeu do século 18, atrapalharam o poder do Estado. Em termos fascistas, essas tendências baseadas em conceitos de individualidade, igualdade e interesse próprio limitavam a unidade e a busca por sobrevivências necessárias para a renovação social. Mussolini escreveu em 1932, "O Fascismo nega […] a verdade convencional absurda de igualdade política […] o mito de 'felicidade' e o progresso indefinido" .

Dissipando o mito de felicidade como um absurdo, a sociedade fascista é capaz de restringir as pessoas e convencê-las a se submeter em nome do bem maior. As pessoas não podem se reunir sem permissão e também não podem dizer nada negativo contra o Estado. Em vez disso, elas são mergulhadas em um senso extremo de união nacional e étnica. Grupos políticos recrutam os membros mais jovens da sociedade, os ensinam sobre o Estado e os encarregam da sobrevivência e do poder desse Estado. O fascismo glorifica a juventude, o que faz sentido se o ideal de sobrevivência dos mais aptos for levado em consideração - já que os jovens são os mais fortes e aptos.

Comícios e desfiles patrocinados pelo Estado dominam a vida social, bandeiras nacionais e monumentos imponentes são colocados na área, e os feriados do Estado preenchem o calendário. Esses símbolos e comemorações têm uma natureza religiosa. Eles encorajam a fé absoluta, mas fé no Estado e não em Deus. O fascismo em geral é contra qualquer religião, a não ser o nacionalismo.

Linha do tempo

1919 - Benito Mussolini passou a articular uma nova organização de caráter paramilitar, junto a ex-combatentes da Primeira Guerra Mundial.

1920 - O Fascismo surgiu no contexto do fim da Primeira Guerra Mundial.

1922 - Os fascistas promoveram a famosa Marcha sobre Roma.

1924 – Nas eleições desse ano, os fascistas demonstraram toda a sua face totalitária. Mussolini havia criado uma milícia voluntária fascista para a segurança nacional, que pressionava as pessoas a votarem nos candidatos do Partido Fascista.

1925 - O regime fascista conseguiu promover a recuperação econômica da Itália.

1927 e 1934 - milhares de civis foram mortos, presos ou deportados.

1929 – Com a crise da Bolsa de Valores a prosperidade econômica vivida nos primeiros anos do regime sofreu uma séria ameaça.

1932 - Tentou consolidar seu Partido de Unidade Nacional em todo o país.

1933- O movimento fascista Guarda de Ferro da Romênia cresceram em apoio político.

1934- A França enfrentou a maior crise política interna desde o Caso Dreyfus, quando os fascistas do Mouvement Franciste e vários movimentos de extrema-direita se revoltaram em massa em Paris contra o governo francês, resultando em grande violência política.

1935- Mussolini começou a preparar as suas tropas e invadiu a Etiópia em Outubro.


1936- Itália, Alemanha e Japão assinaram o Pacto Anticomintern, colocando-se lado a lado na luta contra a expansão comunista promovida pela Internacional Comunista.

1938-  A aliança entre fascistas e nazistas ganhou mais força na Conferência de Munique.

1939- A Albânia também foi invadida e anexada à Itália. No mês de Maio, Hitler e Mussolini assinaram um acordo de auxílio mútuo em caso de guerra, que ficou conhecido como o Pacto de Aço.

1940-  Itália declarou guerra à Inglaterra e à França.Em outubro de 1940, a Itália atacou a Grécia. Tal aventura militar saiu fracassada. As tropas gregas, bem preparadas, expulsaram os italianos.

1941- Alemanha teve que enviar tropas para socorrer os italianos. Nesse meio tempo, os britânicos atacavam os italianos em vários pontos.

1943- Mussolini é preso. A partir deste momento, o Fascismo entrou em descrédito. A Itália masnteve-se ao lado de Hitler na guerra, mas procurava, em segredo, negociar a paz com Os Aliados. Rei Vítor Emanuel III, perante tantos problemas, assina o armistício a 5 de Setembro de 1943 e foge da cidade de Roma, que foi tomada pelos Partigiani .

1944- Os EUA tomaram Roma. Poucos dias depois, os Partigiani iniciaram ataques às tropas nazistas.

1945- Mussolini e sua amante, Clara Petacci, foram capturados pelos Partigiani. Rapidamente julgados, foram executados e os seus corpos foram expostos na Piazzale Loreto, em Milão. Terminava, assim, a longa ditadura fascista sobre o povo italiano.

Como foi o fim do fascismo?

Chega ao fim a tirania fascista na Itália. O ditador Benito Mussolini e sua fiel amiga Claretta Petacci são fuzilados por membros da resistência italiana, os “partigiani”. Seus cadáveres foram expostos em Milão, ao escárnio da multidão

Benito Amilcare Andrea Mussolini (29 de julho de 1883 - 28 de abril de 1945) foi um político italiano que liderou o Partido Nacional Fascista e é creditado como sendo uma das figuras-chave na criação do Fascismo.

Clara (Claretta) Petacci (28 de fevereiro de 1912 – 28 de abril de 1945) foi uma jovem romana de classe alta, que se tornou amante do ditador italiano Benito Mussolini. Francesco Petacci, seu pai, tinha sido médico pessoal do Papa. Claretta era vinte e nove anos mais jovem que Mussolini.

Mussolini e Clara foram assassinados por partisans (milicianos), numa vila nas proximidades de Bonzanigo-Giulino di Mezzegra, ao norte de Azzano, às margens do Lago de Como, na Itália.

Em Julho de 1943, a guerra corria muito mal para Mussolini: a África estava perdida, o corpo expedicionário italiano na frente russa tinha sido quase destruído, os Aliados tinham desembarcado na Sicília. Houve então um golpe de estado em Itália que derrubou o regime fascista de Mussolini. Porém os alemães agiram rapidamente e ocuparam militarmente o país. Entretanto os Aliados, que já tinham ocupado a Sicília, invadiram o território continental italiano, e foram subindo pela "bota" acima, combatendo os alemães. 

No norte foi criado um novo estado fascista, a República Social Italiana, com sede em Salò (daí ser chamada República de Salò). Os alemães colocaram Mussolini, muito debilitado, a governar esse estado. A guerra prosseguiu, com os Aliados avançando muito lentamente, e o Eixo (alemães e italianos de Salò) na defensiva. A norte surgiram diversos grupos de guerrilheiros anti-fascistas, que combateram alemães e italianos de Salò. 

Já em Abril de 1945, os Aliados chegaram finalmente ao norte de Itália. Mussolini foi capturado por guerrilheiros e fuzilado sumariamente, o regime de Salò desmoronou-se, os alemães que restavam em Itália renderam-se. Com a vitória dos Aliados, foi instituído um sistema político de democracia representativa e pluralista em Itália. Assim terminou definitivamente o regime fascista em Itália.

Tratado de Latrão (1929)

As relações políticas entre a Igreja Romana e o Estado Italiano não foram fáceis desde o processo de unificação da Itália no século 19, principalmente por que o papado não aceitava perder o poder político sobre os antigos Estados Pontifícios.

Na perspectiva de resolver tal dilema e, ao mesmo tempo, ganhar o apoio dos católicos, Mussolini assinou com o papa Pio 11 três acordos, que ficaram conhecidos como Tratado de Latrão:

1. A Santa Sé teria sua soberania política dentro do Estado do Vaticano, ao mesmo tempo que reconheceria o Estado Italiano;

2. A Itália indenizaria o Vaticano pelos danos causados durante as guerras de unificação;

3. A religião católica seria a religião oficial do Estado Italiano, sendo ensinada obrigatoriamente em todas as escolas.

Apesar das inúmeras medidas centralizadoras de Mussolini, o Estado Totalitário não se implantou efetivamente na Itália, pois a monarquia foi mantida, garantindo ao Rei Vitor Emanuel 3º parte do poder, ao mesmo tempo em que, a Igreja Católica, depois do Tratado de Latrão, passou a ter maior participação no cenário internacional e, também, na educação e na cultura italiana.

Quando o modelo fascista iniciou seu declínio durante a Segunda Guerra Mundical, tanto a Igreja quanto a monarquia, buscando manter seus privilégios, agiram de forma decisiva para tirar Mussolini do poder.

Governo e Política Fascista

Uma ditadura fascista

Entre 1922 e 1924, Benito Mussolini governou em consenso, não se sobrepondo ao poder do rei Vítor Emanuel 3o, o que não agradou a muitos dos membros do Partido Nacional Fascista, que queriam a instalação de uma ditadura. Mas aos poucos Mussolini foi organizando um governo paralelo. 

Em janeiro de 1923, as milícias fascistas foram transformadas na Milícia Voluntária de Segurança Nacional. Ao mesmo tempo se formou o Grande Conselho Fascista, que se reunia às escondidas, com o objetivo de formular as diretrizes políticas para os membros do PNF ( Partido Nacional Fascista) que aos poucos iam assumindo cargos no governo. Tanto a MVSN (Milizia Volontaria per la Sicurezza Nazionale) quanto o Grande Conselho ficavam sob ordens diretas de Mussolini. 

Em 1924 ocorreram eleições parlamentares na Itália, depois de uma ampla reforma eleitoral que privilegiava os interesses do PNF. Em meio a espancamentos e fraudes, os fascistas e seus aliados conseguiram 2/3 das cadeiras do Parlamento. 

Numa das primeiras sessões do novo Congresso, em maio de 1924, o deputado socialista Giacomo Matteotti fez um discurso apresentando provas das inúmeras fraudes durante as eleições, exigindo sua anulação. Poucos dias depois, Matteotti foi sequestrado e somente em agosto seu cadáver foi encontrado. 

O que gerou Violência e diversos grupos antifascistas lançaram manifestos culpando Mussolini pelo assassinato do deputado Matteotti, o que só fez aumentar a violência das milícias fascistas, que aproveitavam da situação para pressionar o governo a acelerar a implantação da ditadura. 

Em janeiro de 1925, Mussolini discursou diante da Câmara dos Deputados, assumindo a responsabilidade por todos os acontecimentos passados e entre 1925 e 1926, com o apoio do rei, dos industriais, do Exército e da Marinha, Mussolini promoveu uma grande perseguição política, impondo o PNF como partido único, e iniciando a ditadura fascista, em que ele era o Duce (o guia) da nova fase política italiana.

Com isso surgiu a Ditadura. 

A ditadura 

A partir de 1925 a economia passou a ser firmemente controlada pelo Estado, com o apoio dos capitalistas italianos. Os prefeitos das cidades passaram a ser nomeados pelo rei, por indicação de Mussolini. A censura foi ampliada: a educação, as artes, os esportes, as rádios, o cinema e, até mesmo, o lazer da população seguiam as orientações fascistas. Foi criado o Tribunal Especial de Defesa do Estado, responsável pelo julgamento de "crimes" políticos, sendo juízes os oficiais da MVSN. 

A filiação ao PNF era quase uma obrigatoriedade entre os italianos, pois só assim se poderia prestar concursos públicos, ter livre passagem entre as várias regiões ou exercer qualquer cargo no funcionalismo público. A sigla do partido fascista, PNF, era explicada comicamente, no humor popular como "Per necessitá familiare" (Por necessidade familiar). 

Em abril de 1926 uma nova legislação trabalhista foi criada: patrões e empregados deveriam participar das 22 corporações organizadas pelo Estado, a fim de resolver seus embates dentro das leis impostas. Em cada corporação, empresários e empregados tinham o mesmo direito, o problema era que os primeiros apoiavam o fascismo e os segundos eram representados por sindicatos fascistas, os únicos que tinham permissão para participar das corporações. 

A negociação de fato não acontecia, mas era uma tentativa de suprimir a luta de classes através do modelo corporativista fascista. Dessa forma Mussolini pretendia aniquilar as organizações trabalhistas e, ao mesmo tempo, aumentar o poder do Estado sobre as relações sociais. Mesmo não resolvendo as questões trabalhistas, o modelo corporativista era usado como propaganda de uma nova sociedade que o fascismo se propunha a construir uma centralização política se intensificou quando o Grande Conselho Fascista foi oficializado em 1928, pois na prática incorporava os poderes legislativo e judiciário.

terça-feira, 2 de setembro de 2014

A economia do fascismo

O melhor exemplo de economia fascista foi o regime do ditador italiano Benito Mussolini. Acreditando que o liberalismo (ou seja, a liberdade e o livre mercado) tinha “esgotado sua função histórica”, Mussolini escreveu: 

“o mundo para o Fascismo não é esse mundo material, como aparenta superficialmente, onde o homem é um indivíduo separado dos outros, condenado à solidão… O Fascismo reafirma o Estado como a verdadeira realidade do indivíduo.” 

Esse coletivismo é compreendido na palavra fascismo, que deriva do latim fasces, nome dado a um feixe de varas ligadas em torno de um machado. Nas ciências econômicas, o fascismo foi visto como um terceiro caminho entre o capitalismo laissez-faire e o comunismo. O pensamento fascista reconhecia as funções da propriedade privada e do estímulo ao lucro como legítimos incentivos à produtividade – desde que não entrassem em conflito com os interesses do Estado. 

O Fascismo na Itália nasceu a partir de dois outros movimentos: o sindicalismo e o nacionalismo. Os sindicalistas acreditavam que a vida econômica deveria ser governada por grupos que representassem os trabalhadores das indústrias e manufaturas. Os nacionalistas, feridos pelo tratamento dispensado à Itália após a Primeira Guerra Mundial, combinavam a idéia da luta entre as classes com a idéia de uma luta entre as nações. Diziam que a Itália era uma nação proletária e que, para obter uma parte maior da riqueza mundial, todas as classes italianas deveriam se unir. Mussolini foi um sindicalista que se tornou nacionalista durante a Primeira Guerra Mundial. 

De 1922 a 1925, o regime de Mussolini seguiu a política econômica do laissez-faire, sob o comando de um ministro de finanças liberal, Alberto De Stefani. O ministro reduziu impostos, regulações, restrições comerciais e permitiu que empresas competissem umas com as outras. Porém, essa oposição ao protecionismo e aos subsídios desagradava alguns líderes da indústria e De Stefani acabou tendo que pedir demissão. Quando Mussolini consolidou sua ditadura, em 1925, a Itália entrou em uma nova fase. Como vários outros líderes daquele tempo, Mussolini acreditava que a economia não funcionaria construtivamente sem a supervisão do governo. Como um prenúncio do que aconteceria na Alemanha Nazista e até, de certa forma, nos Estados Unidos após o New Deal, Mussolini iniciou um grande programa que incluía um imenso déficit do governo, obras públicas e, por fim, investimento militar. 

O Fascismo de Mussolini avançou ainda mais com a criação do Estado Corporativo, uma estrutura supostamente pragmática, sob a qual as decisões econômicas eram tomadas por conselhos compostos por trabalhadores e empregadores que representavam o comércio e as indústrias. A partir desse arranjo, a suposta rivalidade entre os empregados e os empregadores deveria ser extinta, evitando que a luta de classes prejudicasse a luta nacional. No Estado Corporativo, por exemplo, as greves seriam ilegais e ações trabalhistas deveriam ser mediadas por uma agência estatal. 

Teoricamente, a economia fascista deveria ser orientada por uma complexa rede de empregadores, trabalhadores e organizações administradas conjuntamente, representando manufaturas e indústrias em nível local, provincial e nacional. No topo dessa rede estava o Conselho Nacional das Corporações. Embora o sindicalismo e o corporativismo tivessem lugar na ideologia fascista e fossem importantes na construção de um consenso em apoio ao regime, o conselho pouco atuou na condução da economia. As decisões reais eram tomadas por agências estatais, como o Instituto para a Reconstrução Industrial (Istituto per la Ricosstruzione Industriale, ou IRI), mediando os grupos de interesse. 

A partir de 1929, em preparação para atingir as “glórias” da guerra, o governo italiano utilizou medidas protecionistas para direcionar a economia em direção à autarquia – ou à autossuficiência econômica. As políticas autárquicas foram intensificadas nos anos seguintes, por conta da depressão e das sanções econômicas impostas por outras nações sobre a Itália após a invasão da Etiópia. Em 1931, Mussolini decretou que órgãos governamentais deveriam comprar apenas produtos italianos e aumentou todas as tarifas sobre importações. As sanções que seguiram a invasão à Etiópia estimularam a Itália a novamente, em 1935, aumentar suas tarifas, enrijecer as quotas de importação e reforçar seu embargo sobre produtos industrializados. 

Mussolini também eliminou a capacidade do mercado de tomar decisões independentes: o governo controlava todos os preços e salários, e firmas de qualquer indústria poderiam ser forçadas a fazer parte de um cartel, caso a maioria se posicionasse nesse sentido. Os líderes das grandes empresas tinham alguma participação na elaboração de políticas, enquanto os pequenos empreendedores eram, na verdade, transformados em empregados do estado, competindo com burocracias corruptas. Eles aceitavam sua submissão na esperança de que as restrições fossem temporárias. Vendo a terra como bem fundamental à nação, o Estado fascista dominou a agricultura de uma forma ainda mais completa, definindo safras, dividindo fazendas e fazendo das ameaças de expropriação um instrumento para reforçar suas ordens. 

O sistema bancário também sofreu um controle extraordinário. Da mesma forma que as indústrias italianas, o sistema bancário também afundou sob o peso da depressão e da regulação e, enquanto o desemprego crescia, o governo criava programas de empregos públicos, assumindo o controle sobre decisões em relação à construção e expansão de fábricas. O governo criou o Istituto Mobiliare, em 1931, para controlar o crédito, e o IRI, mais tarde, adquiriu todas as ações que os bancos possuíam de empreendimentos na indústria, na agricultura e no setor imobiliário. 

A imagem de um líder forte assumindo responsabilidade direta sobre a economia durante momentos de crise fascinou observadores estrangeiros. A Itália foi um dos lugares onde Franklin Roosevelt buscou idéias em 1933. Criada por Roosevelt, o National Recovery Act (NRA) tentou cartelizar a economia americana, da mesma forma que Mussolini cartelizara a italiana. Sob a NRA, Roosevelt estabeleceu conselhos para toda a indústria, com poder de determinar e aplicar preços, salários e outras formas de emprego, produção e distribuição para todas as companhias de determinada indústria. Por meio da Lei de Ajuste da Agricultura, o governo exerceu um controle similar sobre os agricultores. 

Curiosamente, Mussolini enxergava o New Deal de Roosevelt como “corajosamente… intervencionista no campo da economia.” O nazismo de Hitler também partilhava muitos traços com o fascismo italiano, inclusive na frente sindicalista. O nazismo também exercia um controle governamental completo sobre a indústria, a agricultura, financiamentos e investimentos. 

Na medida em que a Segunda Guerra Mundial se aproximava, os sinais do fracasso do fascismo na Itália eram evidentes: o consumo privado per capita estava abaixo dos níveis de 1929 e a produção industrial italiana, entre 1929 e 1939, tinha crescido apenas 15 por cento – menos que as taxas de crescimento dos outros países da Europa Ocidental. A produtividade do trabalho estava baixa e os preços de produção não eram competitivos. O erro econômico do fascismo residia na transferência do poder de decisão dos empreendedores para os burocratas do governo e na distribuição dos recursos, feita através de decretos, em detrimento do mercado. Mussolini desenvolveu seu sistema para abastecer as necessidades do Estado, não dos consumidores. Esse sistema, no fim das contas, não serviu a nenhum dos dois.

Benito Mussolini

Benito Mussolini (1883-1945) foi um político italiano. Líder do Partido Fascista, fundado em 1919, no final da Primeira Guerra Mundial. Foi professor e jornalista, escrevia para jornais de esquerda. Em 1914 foi expulso do partido socialista. Alistou-se no exército, chegando a patente de sargento. Em 1922 organizou a "Marcha sobre Roma", e com o apoio do rei Vítor Emanuel III passou a organizar o gabinete governamental, no cargo de primeiro-ministro da Itália. Por meio de eleições fraudulentas, os fascistas ganharam a maioria do parlamento. Em 1925 Mussolini tornou-se "Duce" (o condutor supremo da Itália). Estava formado um Estado Totalitário.

Benito Mussolini (1833-1945) nasceu em Predappio, província de Forli, Itália, no dia 29 de julho de 1833. Filho de Alessandro Mussolini, um ferreiro, socialista, e Rosa Maltoni, professora primária. Em 1901 Mussolini formou-se professor de escola primária, trabalhou como professor mas seu interesse era a revolução. Em 1902 foi morar na Suíça, fugindo do serviço militar, mas suas atividades esquerdista acabaram o expulsando do país.

Nessa época, suas leituras filosóficas, especialmente as de Nietzsche, haviam firmado sua crença na violência como elemento fundamental para a transformação da sociedade. Nomeado em 1910 secretário do Partido Socialista em Forli, começou a editar o jornal La Lotta di Classe. Depois de liderar um movimento operário contra a guerra turco-italiana, foi condenado a cinco meses de prisão. Em 1911, Mussolini já era um dos principais dirigentes socialistas da Itália. No ano seguinte passou a editar o jornal Avanti, para o órgão oficial do Partido Socialista.

Benito Mussolini sustentou a neutralidade da Itália na Primeira Guerra Mundial, de acordo com a linha do partido socialista. Ao defender a França e a Grã Bretanha, foi expulso do partido. Fundou o jornal Popolo d'Itália, no qual continuou a defender a entrada da Itália na guerra e organizou o Grupo de Ação Revolucionária. Em abril de 1915 voltou a ser preso. Depois que a Itália declarou guerra à Áustria, Mussolini foi convocado, alistou-se no exército, recebendo a patente de sargento.

A rápida ascensão de Mussolini foi consequência de vários fatores. A crise gerada pela guerra, as enormes perdas financeiras e humanas, a inflação e o desemprego, levaram à agitação política revolucionária das esquerdas. O governo parlamentar, formado pelo Partido Socialista e pelo Partido Popular, não chegavam a nenhum acordo, gerando impopularidade.

Em 1919, Mussolini fundou o Partido Fascista que pregava a abolição do Senado, a instalação de uma nova constituinte e o controle das fábricas por operários e técnicos. Em 1920, um movimento operário no norte da Itália foi inicialmente apoiado por Mussolini, que chegou a propor uma frente comum contra os patrões e os trabalhadores de extrema-esquerda. Rejeitada a proposta, e contornada a situação pelo governo liberal, Mussolini capitalizou a seu favor o pânico da burguesia em relação ao comunismo, e o movimento recebeu vultosas contribuições.

Benito Mussolini foi eleito para o parlamento em 1921, apoiado pelas elites, organizou o assalto ao poder. Em 1922 a milícia armada formada pelos "camisas-negras", num total de cinquenta mil pessoas, caminharam para Roma, foi a chamada "Marcha sobre Roma". Em 1924 através de eleições fraudulentas, os fascistas ganharam a maioria do parlamento. Em 1925, com o apoio do rei Vítor Emanuel III, passou a organizar o gabinete governamental, assumindo o cargo de primeiro ministro. Estava formado o Estado totalitário.

Em política externa, as aspirações de Mussolini foram limitadas na prática pelo reduzido poderio militar da Itália. Em 1927, ele estabeleceu um protetorado sobre a Albânia; em 1935 invadiu a Etiópia e em 1937 interveio na guerra civil espanhola. Durante a Segunda Guerra Mundial, sua aliança com Hitler, decidida no auge das conquistas militares alemãs, permitiu-lhe incorporar parte do território da Iugoslávia. Derrotado na Grécia em 1940 e na África em 1941, e com o desembarque dos aliados na Sicília, teve sua liderança repudiada pelo Grande Conselho Fascista em 1943. Destituído e preso, foi libertado pelos alemães. Tentou manter-se no poder no norte da Itália mas, já desmoralizado e isolado foi preso por guerrilheiros italianos ao tentar fugir para a Suíça.

Benito Amilcare Andrea Mussolini foi julgado sumariamente e fuzilado junto com sua amante, Clara Petacci, em Mezzegra, Itália, em 28 de abril de 1945. Seus corpos foram levados para Milão e expostos, pendurados de cabeça para baixo, na praça do Loreto.

Entre as principais características do Fascismo podemos destacar

  • Totalitarismo – Concedia todos os poderes na mão do governo.
  • Nacionalismo – Pregava a ideologia de que apenas o que pertencia ao país tinha valor.
  • Militarismo – Fortalecimento das forças armadas investindo na produção de armas e equipamentos de guerra.
  • Culto à força física – Preparar os jovens fisicamente para se tornarem soldados fortes para o caso de uma possível guerra.
  • Censura – Para garantir que nenhuma notícia negativa fosse direcionada contra o governo. Aqueles que o fizessem corriam risco de serem presos e até mortos.
  • Propaganda - Utilização dos meios de comunicação para divulgar suas ideologias.
  • Anti-Socialismo – Defendiam o capitalismo e eram contrários ao socialismo.

Os fascistas chegam ao poder

Em maio de 1921, a associação nacionalista que havia sido fundada transformou-se em Partido Nacional Fascista, concorrendo nas eleições ao parlamento e conseguindo 35 assentos. O movimento teve o apoio da classe média e também de receosos do socialismo e comunismo, enquanto isso os donos de terra e industriais o viam como uma possível defesa contra a militância trabalhista.

No ano de 1922 Mussolini ameaçou provocar uma “Marcha sobre Roma”, conquistando assim a liderança de um governo de coligação de direita que incluía a princípio os membros do partido popular, pro-igreja. Quando ocorreram as eleições de 1924, os representantes fascistas ganharam a maioria do parlamento, o que desagradou os socialistas, que denunciaram a estratégia democrática fascista alegando que havia ocorrido fraude. Isso resultou no assassinato brutal do socialista Giacomo Matteotti, morto por partidários fascistas.Mussolini passou desde então a tomar atitudes que minassem as instituições representativas italianas. Como o poder legislativo estava enfraquecido, o novo governo publicou a Carta de Lavoro, que apresentava as intenções da nova facção instalada no poder. Entre os itens explícitos, o documento falava que a liderança soberana de Mussolini resolveria os problemas do país. Quando em 1926 ocorreu um atentado contra o líder fascista, o partido ficou ainda mais forte.

As atitudes de Mussolini foram extremas: Todos os partidos políticos, com exceção do fascista, eram tidos como ilegais, os órgãos de imprensa foram fechados, a pena de morte foi legalizada e os camisas negras passaram a incorporar as forças de repressão oficial. Portando todos os poderes, o Estado fascista prendeu, deportou e matou milhares de civis entre os anos de 1927 e 1934.